Saturday, August 26, 2006

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COBERTURA ELEITORAL
Enfim, algum tempero no mingau da campanha

Por Rolf Kuntz

Jornais dão sinal de vida, enfim, na cobertura da campanha eleitoral. A matéria da Folha de S.Paulo sobre quem financia quem na disputa da presidência da República (domingo, 20/8) foi um belo esforço para ultrapassar o rame-rame da atividade diária dos candidatos e das intriguinhas inter e intrapartidárias. No mesmo dia, o Estado de S.Paulo pôs algum recheio no debate, com o resumo de um estudo sobre a destinação das verbas "sociais" em todos os níveis de governo.

Na reportagem sobre o financiamento, a Folha tentou mostrar as tendências de vários setores e indicar as motivações das escolhas eleitorais. O resultado não foi um mapeamento "científico", nem poderia ser, nesta altura, mas a matéria contribuiu para mostrar o peso eleitoral de alguns temas econômicos, como as políticas agrícola e cambial.

O material do Estadão sobre os gastos "sociais" tocou numa questão essencial para o julgamento das políticas em vigor e para as decisões do próximo governo: a diferença entre a ação assistencial e os gastos "estruturantes", com potencial para aumentar a capacidade produtiva dos beneficiários.

Um ponto importante realçado no texto foi a comparação da estrutura dos gastos "sociais" brasileiros com a de outros países, como o Uruguai, a Argentina e o Chile. Teria valido a pena fazer um contraponto com os dados e conclusões de um trabalho divulgado pouco antes pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os autores desse estudo tentaram estimar a redução da desigualdade causada por transferências diretas de renda, como as do programa Bolsa Família.

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